Finalmente um bom jogo do Porto. Há já muito tempo que não via um jogo verdadeiramente consistente da equipa. Sem ser brilhante, soube impor-se, ser eficaz (coisa que também não tem sido), aproveitar os espaços, ser inteligente, ser segura. A equipa demonstrou que consegue jogar um futebol fluído quando tem espaço para isso, ao contrário do que acontece no Dragão, onde os adversários por norma se fecham muito (e isso explica - em parte - o futebol sonolento e as exibições descoloridas no seu estádio). Fico também contente por ter visto o jogo e não ter havido qualquer tipo de caso de arbitragem a que os frustrados do costume pudessem recorrer para tentar invalidar uma vitória do Porto. Fez um jogo de qualidade, pronto. Não brilhante, mas de qualidade. Indiscutível.
Sobre o estado do FC Porto neste início de Dezembro:
Aplaudi a decisão de fazer alterações no onze em peças que podiam ser tidas como intocáveis, casos de Hulk, Rolando e Helton. Aplaudi também o seu regresso para este jogo em Guimarães, que exigia concentração e que não constituía a oportunidade ideal para lançar ou continuar a cimentar a posição de jogadores que apenas recentemente tiveram o sabor de serem titulares na equipa que pretende ser pentacampeã nacional. Helton deverá perder o lugar para Beto durante esta época, numa espécie de passagem de testemunho muito semelhante ao que ocorreu quando Adriaanse entregou a baliza a esse próprio Helton em detrimento do super-titulado Baía (considerado melhor guarda-redes europeu sensivelmente um ano antes dessa ocasião); nos jogos que efectuou, não comprometeu. A posição da baliza é muito delicada e convém muito manter o guarda-redes com confiança. Nem todos sabem gerir a posição de guarda-redes num plantel. Jesualdo parece sabê-lo. Também há que mencionar os méritos do homem, tal como se tem que mencionar as muitas lacunas (não diria defeitos). Maicon e Nuno Coelho têm potencial, mas Jesualdo parece apontar mais para Maicon. Não faço ideia sobre qual dos dois é melhor... O certo é que Rolando pode ter recuperado o seu lugar ao lado de Bruno Alves com a exibição segura protagonizada no D. A
fonso Henriques. Já Bruno Alves, esse, confirma jogo após jogo que está um jogador completo, uma mais-valia; fico enormemente contente por saber que há conversas para renovar o contrato e fazer dele o jogador mais bem pago do plantel, pois merece-o. Ficaria ainda mais contente se se mantivesse no Porto durante muito mais anos. Acabou de ser um dos eleitos para a votação da UEFA sobre o melhor 11 do ano (o único jogador do nosso campeonato a sê-lo). Juntamente com Meireles, é o rosto do Porto actual, os únicos com estatuto suficiente para ombrearem com os grandes nomes do passado tanto recente como distante. Que fiquem, porque aqui é que estão bem.Belluschi tem estado bem e confiante, o que faz com que traga à tona toda a sua qualidade técnica. Mas é um patrão do meio-campo? Não. No máximo, com estes jogadores, serão três jogadores a funcionar como patrão. Ou seja, faltando um verdadeiro patrão como era Lucho, há três jogadores que, trabalhando e em forma, podem conseguir um efeito semelhante (nunca igual, claro, mas bem melhor do que a desgraça, vazio de ideias e evidente falta de quem paute o jogo a que assisti em vários jogos do Porto há pouco tempo). E tanto Fernando como Meireles, que completam o triângulo com Belluschi, subiram de rendimento (sobretudo Meireles, que foi pendular e até decisivo na Selecção Nacional). Não dispensava, contudo, uma contratação em Janeiro de uma mais-valia para o meio-campo, evidentemente.
Podia continuar a falar dos jogadores individualmente, mas tudo está bem com os outros. A evolução é visível, natural e expectável.
Esperemos pelo próximo jogo no Dragão (por ser um jogo fechado)... Quero ver o comportamento da equipa nesse jogo e em desafios futuros contra adversários defensivos e que não deixam espaços. Aí se verá se a evolução que o Porto demonstrará nuns jogos se aplica à generalidade dos jogos, sobretudo em casa.
E nada do que de positivo deu para notar em Guimarães e a espaços noutros jogos anula os factos de:
- Haver no plantel jogadores que não justifica(ra)m a sua contratação.
- Não existir um patrão do meio-campo, coisa que sempre existiu - com os efeitos conhecidos - nos grandes Portos que vimos nas duas últimas décadas. Nem precisa de ser um 10 ou um trinco ou um médio-interior. Basta que seja isso mesmo que disse: um patrão, que alie a classe, a entrega e a capacidade de liderança.

Sobre o V. Guimarães no jogo e em geral:
O Guimarães mostrou mais uma vez porque é que é considerada uma das melhores equipas de futebol de Portugal. Com o jogo em 1-2, pressionou enormemente o Porto - pondo o Porto em sentido e obrigando-o a concentrar-se e a admitir que estava por baixo no jogo nessa altura - e praticou o habitual futebol de qualidade, puxado para a frente por um público fervoroso (um público de uma qualidade que talvez o Braga também merecesse), a que o Porto conseguiu resistir.
E pondo de parte as questões relacionadas com a aliança (por conveniência) com os Ridículos da Luz, gosto do Guimarães. Gosto da história recente, do estádio, gosto pelo facto de ser uma equipa do Norte e gosto porque lhe vejo e sempre vi desde que vejo futebol uma força superior a todas as outras equipas não-grandes tirando o Boavista, equiparada apenas - e apenas agora - pelo Sp. Braga. Se não se dão bem com o FC Porto neste momento e vice-versa, isso é-me igual ao litro. Se se associaram aos galináceos foi para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões (atitude desprezível, claro) e não por terem um ódio visceral, natural e intrínseco ao Porto nem por partilharem na sua génese dos padrões de comportamento das galinhas. Pecaram pela falta de valores e por terem tentado aproveitar-se da desgraça de um clube (Porto), que não se veio a confirmar, e por para tal se terem aliado temporariamente aos idiotas. Mas a atitude de um homem ou de um conjunto de homens (dirigentes actuais e/ou recentes do Vitória) não pode manchar necessariamente todo o clube que ele(s) representa(m) e tudo o que a ele está associado. Não deixarei, portanto, de observar e apreciar as qualidades da equipa e do clube - que também existem - "só" por isso, certo também que o Porto saberá sempre defender os seus interesses na medida do sensato e do correcto e que agirá sempre de acordo com essa capacidade que mostra de há muitos anos para cá.
Em breve deixo a minha análise do Sporting - benfica.

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