Saturday, March 27, 2010

O iletrado

"O líder encarnado reagiu ainda ao facto de o clube ter alcançado a marca dos 210 mil sócios. "Somos não só o maior mas também o clube mais rico do mundo.""

Noção de credibilidade: nota 0.

Noção de competência: nota 0.

Noção do ridículo: nota 0.

Noção de contenção e gestão da imagem que transparece para as pessoas inteligentes que o ouvem: nota 0.

Labreguice e populismo rasca: nota 10.

Chumbado. Pode repetir o teste quando tiver mais do que a 4ª classe. Até lá, a possibilidade de falar em público está-lhe vedada. Já a possibilidade de presidir a clubes ridículos, nisso não nos metemos, pois cada ridículo cose-se com as linhas ridículas que escolher.

Tuesday, March 23, 2010

Na ressaca de um triste mês...

Sobre a final da Taça da Liga, em que tantas esperanças depositava:

Parabéns ao benfica.
A jogar contra uma "equipa" que não consegue fazer mais do que três passes certos seguidos ou uma jogada com princípio, meio e fim, a coisa tornou-se fácil.
Podia procurar desculpar-me (ou desculpá-los) com as ausências do Hulk ou do Varela ou até do Farías, mas não o vou fazer. Esta exibição não tem desculpa. Mas sobre o Porto falo daqui a dois parágrafos.
O orelhudo iletrado veio aproveitar o facto de ter ganho contra uma equipa em cacos para dizer que "vem aí um novo ciclo". Se continuarem a acreditar nisso, é o vosso fim.
Leiam-me bem, para ver se vos fica na memória: o benfica jamais voltará a ter hegemonia no futebol português. Se não apanhar um Porto decente, apanha o Sporting.
A única coisa que conseguirão é ter sucesso desportivo este ano. Mas a que custo? E com que concorrência? A do Braga? É certo que o Porto também arrecadou alguns
títulos em parte porque não havia concorrência à altura.
De qualquer forma, andam a hipotecar o vosso futuro só para serem campeões uma vez. Parabéns, querem-no tanto, vão consegui-lo, e vão juntar a isso uma Taça da Liga ganha contra um Porto que vale um décimo do que valia há bem pouco. O que isto tem de novidade não é o Porto, que tem anos maus e geralmente não demora mais do que um ano a reconstruir-se, mas sim que quem aproveita isso é o benfica e não o Sporting. Há muito tempo que as coisas não se conjugavam desta forma e confesso que a sensação é nova para mim. E o benfica aproveita também porque, como disse o Manuel Machado, se baseia em jogadores "que custaram os olhos da cara". É natural que a contrair sucessivos empréstimos, todos os anos, chegue algum ano em que, caramba, finalmente se há-de ganhar alguma coisa.

Já o Porto, sem o Lisandro, mas sobretudo sem o Lucho, realmente perdeu-se quase tudo. A diferença é como do dia para a noite. Não jogam nada. Neste momento, claro. Os jogos do Porto entristecem-me, pela falta de ideias, garra, clarividência e qualidade. O Rúben entrou e teve um bom período, tal como toda a equipa, mas também já caiu no mesmo marasmo e está, à imagem de quase todos os outros, inconsequente. A minha esperança é que se deite ao lixo o lixo que existe na equipa, se venda quem não quer lá estar, se mantenha o (pouco) que tem qualidade e se reconstrua um plantel digno do Porto. Ah, e que o Professor se retire de uma vez por todas, porque estamos todos um pouco fartos de olhar para as ventas dele...

Sobre a decisão do CJ de reduzir (substancialmente) as penas aplicadas por aqueles que pretendem ajudar à festa e facilitar o percurso do benfica na conquista do campeonato, que se tornou entretanto, como era de prever, uma espécie de dado que, não estando adquirido, tem que se verificar, a todo o custo. E isto num ano em que se calhar (depende do Braga...) até nem iriam precisar disso para vencer:
Isto surge como um importante balão de oxigénio que, se for conjugado com outros factores, pode suavizar a gravidade da má época que fizemos. Se é verdade que o Hulk não estava a produzir o desejado e esperado (muito longe disso) e o Sapunaru não é um defesa de nível mundial, o certo é que o Porto esteve quase 20 jogos a mais - e mais de dois meses a mais - sem dois jogadores por uma decisão incorrecta de quem tem o poder de punir.

Sobre o que resta de época para o porto, sabem o que nos resta? Vencer a Taça e ganhar os jogos todos do campeonato que faltam, sobretudo o disputado contra o benfica, este último por várias razões importantes:
- limpar a má imagem deixada nos confrontos directos com os galináceos esta época
- complicar a vida aos galináceos na luta pelo campeonato, que pode não estar resolvida nessa altura
- ir para o fim da época com a sensação de que quem riu por último riu melhor (em termos de confronto directo).
Junte-se a isto o facto de fechar a época desportiva ganhando uma taça e a coisa pode ganhar contornos mais sorridentes. Dois troféus (o que faz a média de há muitos anos para cá e tomara a muitos poder ganhar metade disso, certo?), uma outra final, oitavos-de-final da Champions (mais uma vez) e à volta de 19 milhões de euros arrecadados pela participação europeia. Isto pode ser considerado uma época desastrosa? Dificilmente... É que para o ano já ganhamos isto tudo de novo, mas desta vez a jogar bem e com um plantel decente. E quanto à taça, com todo o respeito e sem desprimor pelo Rio Ave e pelo futuro finalista que se nos irá opor... é nossa. Tem que ser.

É aqui, quando tudo parece estar mal (e estamos de facto mal nesta fase, pois depois de um poderoso mês de Fevereiro em que parecíamos estar a formar uma equipa de um nível próximo daquele a que fomos habituados, apanhamos 3 goleadas, uma delas por 5 e as outras duas contra os rivais, uma destas últimas numa final de uma competição que poderíamos ter ganho e seria mais uma, e ganha ao super-rival) que só as pessoas que não têm memória curta conseguem antever coisas positivas.
A média do Porto tem sido esta: ganhar durante 3 ou 4 anos e depois "parar" durante um ano para respirar. Foi este o ano para "respirar". Venha o próximo e já vamos ver se não temos Porto, ou se não seremos Porto. Eu confio.

Monday, January 18, 2010

O eterno colo ao benfica, as dificuldades do FC Porto e ... Rúben Micael

Depois da exibição débil no campo do inimigo, que esteve bem e se esforçou, o sentimento de ódio para com o já proclamado campeão português de futebol de 2009/10 aumentou. E juntou-se-lhe a sede de vingança, que espero ser algo em comum não só com todos os outros adeptos portistas como com os que fazem efectivamente parte do clube ...
Os efeitos emocionais e anímicos nocivos decorrentes da derrota mais humilhante que pode haver, a sofrida contra o pior dos inimigos, ou melhor, o único inimigo, estenderam-se por vários dias, pois, graças a este calendário incompetente e desajustado que fizeram para as competições do futebol português e que está agora em vigor, não houve um jogo que pudéssemos jogar com qualidade para afastar da cabeça e do espírito a vergonha de perder com o benfica. Até voltarmos a encontrar o inimigo, em Maio ou, quem sabe, nas meias-finais ou na final da Taça da Liga (na Taça de Portugal já não dá porque eles já foram eliminados), não descansarei. E também não descansarei se nesse(s) jogo(s) o FCPorto não vingar o resultado que sofreu no dia 20 de Dezembro de 2009.

O FCPorto deste ano, como já eu e tantos outros portistas o dissemos, não é daqueles que nos faz ter quase a certeza de que vamos ganhar coisas em Portugal e ir longe na Europa, lado a lado com as melhores equipas do mundo. Não é, não é.

Rúben Micael:
Saúdo e rejubilo com a contratação de Rúben Micael, um dos nomes mais evidentes no mercado no que toca ao reforço da posição que o FCPorto mostrou como mais deficitária nesta temporada: aquela que fica ao lado de Raul Meireles e uns metros à frente do trinco, Fernando. Aquela que foi durante quatro vitoriosos anos ocupada por um senhor que devia ter como alcunha "Classe". Perdemo-lo e já estamos habituados a perder os melhores jogadores que temos, ano após ano. Tornou-se um hábito e não temos nada que criticar, enquanto portistas, pois são em boa parte as vendas, por valores significativos, desses activos que nos permitem manter saúde nas contas financeiras do clube. Aquilo a que também estávamos habituados era a que chegasse prontamente um substituto de valia potencialmente idêntica. E neste caso, não chegou. Belluschi tem muita técnica, é virtuoso, mas apaga-se. E mesmo que não se apagasse, não seria nunca o patrão do meio-campo de que o FCPorto precisa. A tal mais-valia, o tal patrão que referi há uns tempos num comentário aqui mesmo colocado. Nessa altura, pensei nalgumas hipóteses, eu e outros portistas. Algumas delas tinham umas vantagens e desvantagens, outras outras. Uma delas é Rúben Micael, jogador de grande toque de bola, visão de jogo, jovem, português e marcador de golos com a facilidade que os grandes homens de meio-campo demonstram. É dos que não engana. Falou-se na sua possível ida para o Sporting. Estaria o FCPorto a perder um grande jogador nacional? Não, não estava. Contrariamente ao que se foi dizendo em público, o FCPorto ia mesmo reforçar-se e a vinda deste jogador já estava nos planos do clube há algum tempo. Consumou-se, sem alarido, sem fugas de informação, como de costume. E cá está ele, em Janeiro, pronto a juntar-se a um plantel sobre o qual pairam dúvidas e a um clube que não está contente com a posição que ocupa no campeonato. Estou certo de que ajudará a mudá-la. Não engana. É craque. Bem-vindo seja, que se imponha imediatamente e que dê ao FCPorto a clareza, consistência e qualidade de jogo que não existiu em grande parte dos jogos da equipa neste ano.

FCPorto e os jogos no Dragão:
Fica a sensação, para quem vê os jogos realizados no Estádio do Dragão deste ano integralmente, que a equipa já não sabe vencer em casa. Nos jogos fora, a coisa rola bem e a equipa impõe-se. Em casa, onde tem de assumir as despesas do jogo e ser criativo e incisivo para quebrar defesas apertadíssimas e equipas manhosas, é um sofrimento. Nos jogos em que produz futebol ofensivo de qualidade, a sorte não ajuda, ou o guarda-redes faz defesas impossíveis, ou então são-nos anulados golos perfeitamente e visivelmente válidos de forma muito estranha. Mas não vamos já à arbitragem. No Porto actual sobressaem os seguintes nomes: Bruno Alves, Falcao, Varela (talvez lhes possamos juntar Meireles, que não está no seu melhor). Bruno Alves pela qualidade que imprime ao jogo aéreo da equipa, tanto ofensiva como defensivamente, pelo seu carisma, pelo facto de bater livres quase sempre de forma perigosa para o adversário, por ser um jogador feito. Falcao pela qualidade do remate, pelo jogo de cabeça eficaz. Varela pela alegria que dá ao jogo da equipa quando esta mostra uma quase total falta de imaginação para construir jogo ofensivo (a que se deve a inexistência de um jogador com inteligência, imaginação e visão de jogo, como era, mais uma vez, Lucho, independentemente de ser rápido ou não). Varela também porque chegou ao Porto com uma vontade de mostrar que podia vir a ser um grande jogador; como começou bem, ganhou confiança e está a trabalhar dentro e fora do campo a todo o gás. Ainda bem que assim é, pois tiveram origem nele muitas das coisas positivas que o FCPorto foi fazendo este ano. Para já, dá goleada a Hulk, que tem desiludido.

Extra-campo de jogo:
Ora aqui está, Hulk. Bem, mas agora ele também não pode iludir nem desiludir, porque está, juntamente com Sapunaru, suspenso preventivamente devido a estranhos desacatos ocorridos num local onde o benfica tem demonstrado ser tão competente como nos relvados: nos túneis. Como a "justiça desportiva" não tem pressa em julgar este caso, porque o FCPorto pode esperar, lá vamos jogando sem Hulk (se bem que, da maneira que estava a jogar e com o pouquíssimo que estava a produzir, isso talvez até não seja assim tão negativo). Mas há mais, porque, segundo "a bola", a estes dois criminosos devemos juntar mais três. O jornal até aludiu a isso com uma capa gigante, fazendo uma montagem com Fucile, Helton e Rodríguez com cara de poucos amigos dentro de um túnel, como se fossem de um gangue, para os bêbados que lêm o pasquim pensarem que o Porto é uma associação criminosa. Aliás, foi por isso que o clube deixou de dar conferências de imprensa ou entrevistas aos meios de comunicação social sempre que entre eles se encontrasse um elemento dessa corja de frustrados iludidos. Servirá de algo? Não. O resultado disso será que "a bola" terá agora uma espécie de razão plausível (na sua mente distorcida, ávida de injustiças) para ter alguma animosidade para com o clube em todo o material que publica sobre ele. Se já não eram imparciais antes, imagine-se agora que o clube que gostam de atacar mostrou este desprezo para com eles.

O colinho glorioso:
Sem que ninguém fale muito nisso, criou-se, como era de prever, uma obrigação de levar o benfica ao colo até ao fim da temporada. Na Taça da Liga, contra o Nacional, o benfica foi altamente beneficiado. Parece haver uma relação muito próxima entre o benfica e essa competição. Mas no campeonato, como se explica que o benfica chegue aos 0-5 nos Barreiros, quando quem viu o jogo como eu vi assistia a uma total incapacidade encarnada para desequilibrar o prato da balança a seu favor? Explica-se assim:
Num espaço relativamente curto de tempo, o benfica não só viu um penálti contra si não assinalado, como viu dois jogadores expulsos do Marítimo (um deles por palavras... se fosse o Luisão ou o David Luiz seria expulso? E o que terá dito o jogador do Marítimo?), como teve um penálti a seu favor (numa situação em que Di María é chamado para entrar dentro de campo pela equipa de arbitragem - após paragem para assistência - e recolhe de imediato a bola, isolado, e dá origem a nada mais nada menos do que: 1- penálti; 2- expulsão de um jogador do Marítimo; 3- golo do benfica). E depois ainda têm a sorte de a bola embater num dos postes da sua baliza no primeiro minuto de jogo e de marcar o 0-4 num auto-golo. Assim, de facto, é fácil dar goleadas. Por isso desiludam-se, lampiões, porque a vossa máquina ofensiva não é máquina alguma. É, muito objectivamente falando, um ataque com excelentes jogadores e homens criativos e de qualidade. Deram goleadas em casa sem haver expulsões na equipa adversária? Deram sim senhor, mas quando o Porto ou o Sporting estão bem e se apanham a vencer por 2-0 ou 3-0 em casa também podem continuar a dar no acelerador e atingir uma goleada sem grandes dificuldades. No futebol de hoje é preciso saber gerir, e a forma como o benfica continuou a massacrar nalguns jogos da primeira volta até ao final do jogo deu frutos negativos em Dezembro, com sucessivas lesões de jogadores (um dos primeiros comentários públicos de Domingos Paciência ao chegar a Braga foi sobre a condição física deplorável dos jogadores, sujeitos a esforços desajustados por Jorge Jesus...). E o Cardozo tem 15 golos, pois é, congratulem-se com isso. O Falcao tem 11. O que não tem importância para vocês é que o Cardozo marcou 6 golos de penálti (quantos terão sido inventados?), em 8 marcados a favor do benfica, e o Falcao tem apenas 1 de penálti (de um total de 3 marcados a favor do FCPorto) e pelo menos dois mal anulados. Façam as contas.

Isto para não falar que o golo que obtiveram para derrotar um Porto amorfo foi obtido de forma irregular. Fosse ao contrário, e lá vinham os choramingas deitar a toalha ao chão lavados em lágrimas, afirmando que o título já estava entregue. Estes cegos, ou idiotas, nunca foram bons a olhar para si próprios.
Sobre o FCPorto... Bom, contra o Leiria já nos haviam roubado um golo legal que talvez tivesse evitado o sofrimento a que estivemos expostos no final do jogo (jogo esse, no Dragão, em que foram evidentes as dificuldades desta equipa para transportar a sua superioridade teórica em relação a adversários menores para o campo da prática, muito por culpa própria, e nesse caso não só da (falta de) qualidade ou soluções do plantel). Mas contra o Paços de Ferreira... Bom, aqui podemos de facto falar de influência directa no resultado, pois o golo de Falcao na primeira parte, para além de ter sido válido (e um belo lance, do início ao fim, diga-se), significaria um 1-0 no primeiro tempo, no Estádio do Dragão, o que tinha boas hipóteses de facilitar a segunda parte do confronto. Na segunda parte, um fora de jogo assinalado a Varela, viu-se depois nas imagens, em jogada perigosa, e com 0-0, foi visto por um fiscal-de-linha quando o jogador do FCPorto tinha não um, não dois, mas três adversários a colocá-lo em jogo, um deles a uma distância considerável. Até Rui Oliveira e Costa acha esquisito o que tem acontecido com isto de foras-de-jogo e FCPorto. Isto é estranho. "Estranho". Foi mesmo esse o adjectivo utilizado por van der Gaag, treiandor do Marítimo, para qualificar algumas decisões da equipa de arbitragem liderada por João Ferreira - conhecido já anteriormente por beneficiar o seu clube do coração em vários jogos, em anos anteriores, sobretudo em jogos na luz - nos Barreiros.

Sp. Braga e Sporting:
O Braga mantém-se firme no topo, e precavendo já uma potencial perda de intensidade na segunda metade da época, foi buscar dois jogadores que estão e estarão a todo o gás: Rentería e Luis Aguiar. Ambos provenientes, em certa medida, do Porto, ambos de qualidade e ambos com um passado de sucesso no clube onde treina Domingos Paciência, em 2008/09. Todos os adversários da onda que pretende fazer do benfica o campeão nacional (a mesma onda de 2004/05) são bem-vindos. E nesse lote pode muito bem ter entrado o Sporting, porque, olhando para os números, após esta fase de vitórias sucessivas dos leões, o Sporting está tão longe do Porto como o Porto do Braga, a 12 pontos do primeiro lugar. Vencendo o confronto com os bracarenses no Estádio Axa, na próxima jornada, pode voltar a ter uma palavra a dizer na questão do título. Empatando ou perdendo, será muito difícil.
Mas fica um avant-gout do Sporting que aí vem. Se segurar os melhores jogadores que tem, resistindo às investidas europeias por Veloso, Izmailov ou Moutinho, o Sporting voltará a ser um candidato de peso muito rapidamente, e poderá já este ano levantar taças. Saúda-se o regresso leonino aos tempos de vitória e vivacidade. Uma palavra para Liedson, o melhor avançado a jogar em Portugal desde Jardel:
Parou quando sentiu que tinha que parar. Voltou quando estava em forma. Chegou, jogou, e marcou 2 golos. Impressionante. Com Liedson em forma, repito, em forma, por muito mal que o Sporting esteja, nunca estará acabado.

Saturday, January 2, 2010

Relíquias do futebol dos anos 80 e 90

Há dois tipos no YouTube que têm verdadeiras relíquias televisivas e futebolísticas na sua conta.

As maravilhosas e míticas cassetes de análise final das épocas desportivas de Gabriel Alves, por exemplo, mas tem muito mais, coisas com as quais cresci, dos anos 90 e 80. Documentários, entrevistas, resumos dos jogos, etc.

Fica aqui o link da conta das suas contas e também o link para a playlist da minha conta do YouTube onde fiz uma espécie de lista de vídeos do nosso futebol que vale a pena ver e recordar:

Conta plasticblast - http://www.youtube.com/user/plasticblast (vídeos antigos sobre futebol, incluindo as tais K7s de Gabriel Alves, e também coisas recentes)
Conta LusitaniaTV - http://www.youtube.com/user/LUSITANIATV (vários vídeos sobre o FCPorto incluídos, antigos e recentes)
A minha playlist de futebol - http://www.youtube.com/user/MiriMiriMiau#p/c/3F75B4C5660BC2FD

Fica aqui um avant-gout daquilo que se pode encontrar por lá, autênticos tesouros intemporais e mágicos, como disse:

Friday, January 1, 2010

Odes ao FCPorto

Lucho González


Vítor Baía


Emil Kostadinov


Mário Jardel

Wednesday, December 16, 2009

O Duelo aproxima-se...


Aproxima-se o Jogo ... Com J grande. O Confronto, com C grande. O evento que comporta tudo aquilo que está relacionado com a rivalidade entre uma perspectiva fantasista, facilitista, incompetente e desrespeitadora e uma perspectiva trabalhadora, competente, ciente das suas (muitas) qualidades e das suas lacunas, que pretende vencer porque crê, e crê bem, que o seu trabalho e esforço assim o permitem. E é este, no estádio da luz, no campo do inimigo, é este que é O Jogo. Não é no Dragão. Não é, porque as maiores virtudes em combate medem-se e surgem e aplicam-se melhor quando o cenário é adverso, quando enfrentamos o inimigo como quem é lançado às feras e sabe ter de recorrer à união, à solidariedade e, em última análise, à superioridade que transporta na sua génese em relação ao adversário que o receberá em sua casa, faminto e com vontade de petiscar o Dragão, mas desconhecedor do facto de que isso não é possível.

Este não é o melhor Porto de sempre. Longe disso. Falta-lhe a categoria de outros, falta-lhe o treinador com a raça de homens que souberam partilhar no balneário de todo um conjunto de valores e sentimentos que elevaram à condição de clube histórico o Futebol Clube do Porto. Mas é Porto. É Porto porque não houve nenhuma hecatombe que destruísse nalguns meses o trabalho que teve lugar diaria e ininterruptamente durante décadas. E as minhas dúvidas, e as de muitos portistas, residiam precisamente aí: estaria a acontecer uma hecatombe? Será que este ainda é Porto para nos orgulharmos dele? A resposta foi dada, com naturalidade, maturidade e classe. Este é Porto. Não o melhor, mas é Porto.

O benfica, esse, apresenta-se desfalcado de alguns jogadores, um deles muito importante nas suas manobras (Ramires). E é pena, digo já. Porque os queria na máxima força.
O jogo com o Olhanense encarregou-se de demonstrar que o benfica não é uma grande equipa. Tem grandes jogadores, enormes até, um treinador sabedor e competente, tem (ou é-lhe facilitado o acesso alheio a) recursos financeiros. Mas não tem estaleca. Pelo menos para já.
Este benfica está a anos-luz da competência e da estrutura-base que o Porto tem. Não é sequer comparável. Este benfica (digo este, mas os 10 ou 15 anteriores foram iguais) não está dotado da estaleca, do vício da vitória, do espírito de conquista que caracteriza o Porto de há muito para cá e que são as qualidades principais e verdadeiramente decisivas que todos os analistas conhecedores - inclusive os rivais que conseguem pôr a clubite de lado - identificam como sendo a razão de base para termos passado de clube com uns quantos títulos de campeão para maior força futebolística nacional, ultrapassando o suposto intocável adversário de Domingo, e um dos principais nomes europeus.

São essas qualidades, aliadas ao trabalho e à competência e também provenientes ou resultantes desse mesmo trabalho e competência, que fazem com que sejamos, ano após ano, vencedores. A construir equipas ganhadoras, a ter prestações europeias dignas do registo e do aplauso de pequenos, médios, grandes e tubarões (os que têm um orçamento 20 vezes superior ao nosso), a trabalhar com seriedade, a não entrar em euforia com cada vitória conquistada, a ter os pés assentes na terra sem contudo perder a esperança e o desejo de voar até aos mais altos picos, a vencer de forma categórica adversários de renome no Dragão, no seu estádio ou em campo neutro, a respeitar e temer o adversário sem contudo lhe ter medo (coisas diferentes, temer e ter medo), a criar, com competência e rigor, uma base de sustentação cujos procedimentos são dignos de figurarem num manual sobre como gerir um clube de futebol para vencer dentro e fora de portas. Os factos estão aí, independentemente da cobertura que lhes dão ou não os pasquins que preferiam ver as vitórias tingidas
a vermelho. Na Europa reconhecem-nos o valor. Só mesmo dentro do nosso país somos alvo de faltas de respeito. Para os que as cometem, as nossas vitórias são a melhor resposta. Não merecem as palavras do Porto, merecem as derrotas contra o Porto.


E quem está habituado a associar certas características e certos pormenores a vitórias e à competência demonstrada nessas vitórias, sabe reconhecer quando o adversário não as tem. E o nosso adversário d'O Jogo não as tem. O jogo de Olhão quebrou muitas dúvidas.

A comunicação social, com o passar dos anos e das vitórias portistas, aprendeu a aperceber-se dos sinais que indicam a descida à terra de tudo o que é benfica e a subida calma, serena, competente e natural de tudo o que é Porto ao lugar cimeiro do futebol em Portugal.
São sinais que se repetem todos os anos, com a frequência e regularidade com que se reproduz incessantemente o espírito ganhador do FCPorto.
É a capacidade adquirida por eles de reconhecer e identificar esses sinais, e de perceber o que significam, que os leva a, na semana que precede O Jogo, atribuir-nos o favoritismo e uma grande probabilidade de vitória, como quem já nem espera por estar a perder dentro do campo para se render. Escolhem render-se logo, covardes e medrosos como são.

Perante as circunstâncias, perante a segurança apresentada pelo Porto nos últimos testes a que foi sujeito - não embarcando em euforias delirantes e infantis nem perante resultados esmagadores e exibições de grande classe - e perante o benfica com o ânimo caído, desfalcado e talvez surpreendido com as dificuldades que enfrentou para não perder alguns dos últimos jogos, talvez devido ao colinho recebido vindo de vários quadrantes, podemos e devemos vencer. E vamos, com categoria.

É com a maior das naturalidades que assumo, para quem me possa estar a ler, a minha profunda convicção de que sairemos da luz com uma vitória tão natural quanto o girar dos planetas do Sistema Solar à volta do Sol.


Trata-se de mais até do que uma profunda convicção.

É um profundo e amplo (pres)sentimento, algo de carácter total e inequívoco. Vergaremos o inimigo à nossa superioridade e castigá-lo-emos pela sua arrogância. No seu próprio terreno. Preparem os corações e os espíritos para esta Batalha, bravos guerreiros. Não deveis vacilar, não deveis perdoar, não deveis esmorecer nem hesitar. Deveis esmagar.

Wednesday, December 9, 2009

Porto em Madrid e o menino da permanente

0-3 no Vicente Calderón... Exibição segura, com boa gestão de recursos contra um adversário de rastos, é preciso dizê-lo, eficácia na finalização, domínio, capacidade de se impor na Europa independentemente do nome do adversário, e outra coisa não seria de esperar de um clube habituado como não muitos a disputar sucessivamente grandes desafios na grande prova que é a Liga dos Campeões Europeus. Foi isto que transpareceu no que toca ao Dragão no Atl. Madrid - Porto de ontem.
Depois de uma série de jogos abaixo do sofrível, realmente maus, fracos e sem qualquer chama, o FCPorto como que reaparece repentinamente e apresenta um futebol com a fluidez e segurança de processos que costuma apresentar nas épocas em que é campeão. Foi assim em Guimarães e foi agora em Madrid. É surpreendente, mas é uma surpresa bem-vinda no que me diz respeito. Tudo bem que o Atlético de Madrid está em crise profunda e não é nenhum feito histórico vencê-los por 0-3 no estado miserável em que estão, mas... nem é pelos números que o jogo foi excelente para o Porto. Foi uma exibição muito segura, muito "competente", como o Jesualdo costuma afirmar. Já agora, Jesualdo exagerou claramente ao querer fazer desta a melhor exibição de sempre do FCPorto na Europa sob o seu comando. Não é, seguramente. Não supera a exibição protagonizada nesse mesmo Vicente Calderón no início de 2009 nem tão pouco a assinada no Teatro dos Sonhos. As mesmas qualidades foram demonstradas, mas mais brilhantemente nesses dois outros jogos, referentes a 2008/09.
Bruno Alves voltou a mostrar um pouco da imensidão que vale, Falcao fez o que lhe competia, Hulk teve tempo para assinar um lance brilhante que é uma apresentação perfeita de duas das suas principais qualidades (técnica, ao fintar o adversário, e potência no remate, ao desferir um tiro violento), Valeri teve finalmente uma oportunidade, Maicon esteve bem mas teve a infelicidade de se lesionar, Fucile mostrou que é importante a vários níveis, Álvaro continua bem na lateral-esquerda (mais a atacar do que a defender, mas bem nas duas), Rodríguez mostrou a raça de sempre e Guarín voltou a entrar e a mostrar alguns pormenores interessantes... Um deles é o remate violento que tem.
Resumindo e concluindo a apreciação sobre este jogo e transportando e ampliando a análise para toda a prestação europeia do Porto nesta edição da Liga dos Campeões: objectivo cumprido, com competência e estofo.

E não posso deixar de colocar aqui algo que li há dias no Record Online:

• 11:36 - Rui Sousa
Finalmente a equipa maravilha por que tão anciávamos. É uma pena não estar-mos na liga dos campiões porque íamos à final, de certeza. Somos os maiores e ninguém nos pára. Vamos ganhar tudo nos próximos anos e jogar o melhor futbol do planeta. O Barcelona que comece a tremer. Todas as estações do mundo vão pagar fortunas para poderem ver os nossos jogos e vamos ficar ricos.

Ridículo demais para que pudesse deixar isto de fora deste blog. Fossem os seis/catorze milhões tão produtivos e inteligentes como são cómicos...

E para terminar, devo dizer que começa a criar-se um verdadeiro problema com aquele tipo que tem um cabelo engraçado, que se chama David e que joga ao lado do cepo a quem chamam Girafa, alcunha que lhe assenta bem não só pelo tamanho, mas também pela beleza facial e pela incapacidade para jogar futebol com os pés: é o seguinte, esse tipo tem vindo a fazer faltas violentas recorrentes e é-lhe feita uma protecção especial pela arbitragem. Os idiotas que falavam no Bruno Alves, munidos da sua desonestidade, deverão calar o seu bico de papagaio em relação ao assunto e abri-lo-ão como têm feito para cometer o pecado intelectual de comparar a qualidade de jogo do menino assassino da permanente à do Capitão do Dragão. Este tipo, este David Luiz, é de uma agressividade e de uma necessidade de protagonismo que se manifestam em doses industriais, mas também prima pela permissão que tem para fazer o que quer dentro dum desafio de futebol. Lamentavelmente para ele e para todo o mundo galináceo, a sua grandeza quando comparada à de verdadeiros grandes centrais do passado distante e recente - alguns dos quais do seu clube - é... minúscula. O rapaz quer mostrar que é grande pelo volume do cabelo e pelas tentativas de mostrar um espírito combativo mediante agressões físicas e atitude arrogante de menino mimado a quem tudo é permitido. Mas o rapaz não sabe que não é assim que se é grande e se mostra que se o é... E quem não o é, jamais o poderá mostrar, de forma alguma. É o mesmo tipo que foi comido pelo Quaresma em 2007 e que afirmou um dia que o melhor golo da sua carreira foi pelo benfica em fora de jogo... Pois claro, assim sabe-lhes melhor. Dia 20 terá uma oportunidade para disputar, no mesmo relvado, um jogo em que participará um defesa-central, o Capitão do Dragão, Bruno Alves, que conhece e aplica os limites da agressividade, não os confundindo com os da agressividade violenta. Que aprenda algo, se para isso tiver capacidade e humildade. Duvido que a tenha. Mas não podendo aprender nada, por falta dessas qualidades, que veja o que é força sem violência, espírito guerreiro sem espírito de violência, capacidade de liderança sem necessidade de protagonismo, imponência natural, classe, superação, qualidade, profissionalismo, poder.



Tenham calma, galinhas. Cada vez falta menos para dia 20 e para mostrar, com naturalidade, que a massa de que é feito o Futebol Clube do Porto é mais do que suficientemente forte para vos fazer aninhar-se no vosso próprio estádio onde aplicam goleadas a clubes sem recursos. Preparem-se. Preparem-se, galinhas. Arrebitem bem as vossas ventas para levarem no queixo arrogante uma lição de força e classe, miseráveis.